Internamento em
cuidados intensivos: uma decisão partilhada no caso de idosos muito avançados
em idade?
Gavin M. Joynt & Gabriele Leonie Schwarz
Universidade Chinesa de Hong Kong, China /
Universidade de Bergen, Noruega
Tradução espontânea do resumo e conclusão do artigo
Admission to intensive care: a matter of shared
decision-making in the very old?
publicado em junho de 2026 na revista European Geriatric Medicine
Resumo O internamento em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) de
doentes muito idosos envolve um processo de tomada de decisão complexo, crítico
e urgente. Nos doentes muito idosos, as hipóteses de uma recuperação funcional
satisfatória são mais limitadas, os anos de vida restantes são menos numerosos
e a qualidade de vida após a alta da UCI é frequentemente reduzida. Prever o
desfecho, a duração da estadia na UCI e estabelecer um equilíbrio entre custos
e benefícios constitui um desafio clínico. Compreender o valor que os doentes
muito idosos atribuem aos resultados funcionais e à qualidade de vida é
fundamental. No entanto, os muito idosos estão frequentemente expostos a
cuidados excessivos e a tratamentos demasiado agressivos, a cuidados
insuficientes devido ao preconceito contra a idade ou a receber cuidados que
entram em conflito com os seus objetivos ou melhores interesses. A tomada de
decisão partilhada (TDP) é um processo colaborativo entre profissionais de
saúde e doentes ou seus representantes, alinhado com o elevado valor que muitas
sociedades modernas atribuem à autonomia individual. Uma TDP de qualidade tem o
potencial de integrar o conhecimento e as recomendações da equipa de tratamento
com as preferências do doente, melhorando assim a adequação dos cuidados
intensivos prestados. A TDP pode estar apoiada por um período experimental de
cuidados intensivos com duração limitada. No entanto, quando os recursos são
escassos e a admissão de doentes tem de ser restringida através de um processo
de triagem, a tomada de decisão inicial exclui a TDP, uma vez que o princípio
da autonomia é posto de lado em favor da justiça e da distribuição equitativa
de recursos limitados. Da mesma forma, quando a admissão é considerada fútil ou
os cuidados são potencialmente inadequados, a TDP não é adequada. Evitar a
discriminação com base na idade neste contexto é um desafio e requer uma
consideração cuidadosa dos efeitos e preconceitos da idade cronológica e
biológica no prognóstico e nas decisões de triagem.
Conclusão As
prioridades futuras em matéria de investigação devem incluir: (i) o
aprofundamento dos conhecimentos disponíveis sobre os resultados a curto e
longo prazo centrados no doente em doentes idosos internados na UCI, tais como
a qualidade de vida, bem como a função psicológica, cognitiva e física. (ii) o
desenvolvimento e a validação de modelos prognósticos precisos e objetivos,
baseados nas características dos doentes agudos e geriátricos, específicos para
doenças críticas em idade avançada. (iii) a descrição e avaliação de abordagens
para gerir a incerteza e os conflitos no contexto dos cuidados intensivos de
suporte à vida em doentes muito idosos. A pressão futura prevista sobre os
recursos de camas nas UCI, tanto em termos de disponibilidade como de custos,
exige que a investigação se concentre também no estabelecimento de abordagens
objetivas para cenários de cuidados de baixo e alto valor. Por último,
defendemos a investigação multidisciplinar que aborde a interação entre os
determinantes médicos e sociais da saúde e do bem-estar nos idosos, o que, em
nossa opinião, será de grande importância para a futura utilização
intersetorial dos recursos.
Para melhorar a qualidade das decisões de admissão na UCI de
idosos, é necessário promover o conhecimento tanto dos quadros racionais
concebidos para apoiar a tomada de decisões clínicas como da natureza
socialmente construída desses processos. A tomada de decisões partilhada e o
planeamento antecipado dos cuidados complementam-se mutuamente no apoio a
decisões clínicas centradas no doente. Desde que sejam utilizados corretamente
e que haja recursos disponíveis, estas abordagens estabelecem as bases para
cuidados intensivos individualizados em adultos idosos em estado crítico.<

Sem comentários:
Enviar um comentário