21 outubro 2026

Internamento de idosos em UCI

Internamento em cuidados intensivos: uma decisão partilhada no caso de idosos muito avançados em idade?

Gavin M. Joynt & Gabriele Leonie Schwarz

Universidade Chinesa de Hong Kong, China / Universidade de Bergen, Noruega

Tradução espontânea do resumo e conclusão do artigo

Admission to intensive care: a matter of shared decision-making in the very old?

publicado em junho de 2026 na revista European Geriatric Medicine 

Resumo O internamento em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) de doentes muito idosos envolve um processo de tomada de decisão complexo, crítico e urgente. Nos doentes muito idosos, as hipóteses de uma recuperação funcional satisfatória são mais limitadas, os anos de vida restantes são menos numerosos e a qualidade de vida após a alta da UCI é frequentemente reduzida. Prever o desfecho, a duração da estadia na UCI e estabelecer um equilíbrio entre custos e benefícios constitui um desafio clínico. Compreender o valor que os doentes muito idosos atribuem aos resultados funcionais e à qualidade de vida é fundamental. No entanto, os muito idosos estão frequentemente expostos a cuidados excessivos e a tratamentos demasiado agressivos, a cuidados insuficientes devido ao preconceito contra a idade ou a receber cuidados que entram em conflito com os seus objetivos ou melhores interesses. A tomada de decisão partilhada (TDP) é um processo colaborativo entre profissionais de saúde e doentes ou seus representantes, alinhado com o elevado valor que muitas sociedades modernas atribuem à autonomia individual. Uma TDP de qualidade tem o potencial de integrar o conhecimento e as recomendações da equipa de tratamento com as preferências do doente, melhorando assim a adequação dos cuidados intensivos prestados. A TDP pode estar apoiada por um período experimental de cuidados intensivos com duração limitada. No entanto, quando os recursos são escassos e a admissão de doentes tem de ser restringida através de um processo de triagem, a tomada de decisão inicial exclui a TDP, uma vez que o princípio da autonomia é posto de lado em favor da justiça e da distribuição equitativa de recursos limitados. Da mesma forma, quando a admissão é considerada fútil ou os cuidados são potencialmente inadequados, a TDP não é adequada. Evitar a discriminação com base na idade neste contexto é um desafio e requer uma consideração cuidadosa dos efeitos e preconceitos da idade cronológica e biológica no prognóstico e nas decisões de triagem.

Conclusão As prioridades futuras em matéria de investigação devem incluir: (i) o aprofundamento dos conhecimentos disponíveis sobre os resultados a curto e longo prazo centrados no doente em doentes idosos internados na UCI, tais como a qualidade de vida, bem como a função psicológica, cognitiva e física. (ii) o desenvolvimento e a validação de modelos prognósticos precisos e objetivos, baseados nas características dos doentes agudos e geriátricos, específicos para doenças críticas em idade avançada. (iii) a descrição e avaliação de abordagens para gerir a incerteza e os conflitos no contexto dos cuidados intensivos de suporte à vida em doentes muito idosos. A pressão futura prevista sobre os recursos de camas nas UCI, tanto em termos de disponibilidade como de custos, exige que a investigação se concentre também no estabelecimento de abordagens objetivas para cenários de cuidados de baixo e alto valor. Por último, defendemos a investigação multidisciplinar que aborde a interação entre os determinantes médicos e sociais da saúde e do bem-estar nos idosos, o que, em nossa opinião, será de grande importância para a futura utilização intersetorial dos recursos.

Para melhorar a qualidade das decisões de admissão na UCI de idosos, é necessário promover o conhecimento tanto dos quadros racionais concebidos para apoiar a tomada de decisões clínicas como da natureza socialmente construída desses processos. A tomada de decisões partilhada e o planeamento antecipado dos cuidados complementam-se mutuamente no apoio a decisões clínicas centradas no doente. Desde que sejam utilizados corretamente e que haja recursos disponíveis, estas abordagens estabelecem as bases para cuidados intensivos individualizados em adultos idosos em estado crítico.<


 

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