22 julho 2024

Más notícias

COMMUNITY ONCOLOGY ■ Março/Abril 2005

Dar más notícias: a estratégia S-P-I-K-E-S
Robert A. Buckman, MD, PhD
University of Toronto, Toronto, Ontario, Canada

Tradução espontânea do artigo de 19 de janeiro de 2005
Breaking bad news: the S-P-I-K-E-S strategy
[A quem possa interessar: há um bom livro, coordenado por Rui Mota Cardoso, Competências Clínicas de Comunicação, Ed. Afrontamento, 2012, que tem um capítulo de Joana Monteiro e Ivone Castro Vale dedicado a “Comunicar Más Notícias” – a presente tradução pretende ser um estímulo à leitura daquela obra] 


Dar más notícias aos doentes é uma das tarefas mais difíceis e exigentes que os oncologistas enfrentam – e uma tarefa para a qual estão frequentemente mal treinados e emocionalmente mal equipados. O protocolo S-P-I-K-E-S descrito neste artigo apresenta uma estratégia simples e fácil de aprender para a comunicação de más notícias e sugere formas de avaliar a situação à medida que esta evolui e de responder de forma construtiva aos doentes. Mostrar empatia, explorar a compreensão e a aceitação do doente relativamente ao que acabou de saber e validar os seus sentimentos pode proporcionar-lhe o apoio necessário, uma intervenção psicológica essencial para gerir a angústia e ajudar o doente a enfrentar as decisões de tratamento que se avizinham. Embora nunca seja fácil dar más notícias, ter um plano de ação e saber que é possível apoiar os doentes durante um período difícil ajuda consideravelmente.

Em todas as áreas da prática clínica oncológica, é sempre difícil e incómodo dar más notícias a um doente, seja no momento do diagnóstico, da recidiva, da progressão da doença ou da transição para uma terapêutica paliativa. Em qualquer circunstância, trata-se de uma tarefa difícil e exigente. Um estudo recente demonstrou que 42% dos médicos sofrem de stress depois de darem más notícias, e o efeito dura entre várias horas e mais de 3 dias.1 Este artigo revê alguma da literatura de referência e apresenta uma abordagem prática, o protocolo S-P-I-K-E-S,2,3 uma estratégia atualmente ensinada e amplamente utilizada em seminários e disponível em CD-ROM e cassete de vídeo.4 Para muitos leitores da Community Oncology, a abordagem que se segue pode fazer sentido intuitivamente e refletir o que tem vindo a fazer na sua prática clínica. Mesmo que seja esse o caso, esta visão geral pode ter algum valor, reforçando a sua própria prática clínica e proporcionando uma ferramenta de ensino para os seus alunos mais novos.

Definição de “más notícias”

É importante definir o elemento central das más notícias – ou seja, tentar identificar o que as torna tão más para os doentes. Basicamente, o impacto das más notícias é proporcional ao seu efeito na alteração das expectativas dos doentes. De facto, uma definição prática de más notícias é “qualquer notícia que afete adversa e seriamente a visão que um indivíduo tem do seu futuro”.5 Por conseguinte, todas as más notícias têm consequências adversas graves para os doentes e as famílias.6,7 Por sua vez, isto conduz a dois princípios orientadores importantes.

Em primeiro lugar, a “maldade” das notícias – por outras palavras, o impacto no doente e na família – pode ser considerada como a diferença entre as expectativas do doente em relação à situação e a realidade médica da mesma. Em segundo lugar, como clínico, não é possível saber como é que o doente vai reagir às más notícias enquanto não se conhecerem as suas perceções das respetivas situações clínicas. Por isso, uma regra importante é “Antes de dizer, pergunte”.

Necessidade de uma estratégia

Em 1998, na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, cerca de 400 oncologistas assistiram a uma sessão sobre como dar más notícias. Os oncologistas foram inquiridos sobre vários aspetos das competências de comunicação e da formação.3 Menos de 5% dos presentes afirmaram ter recebido qualquer formação sobre como dar más notícias. Mais de 66% indicaram que tinham de dar más notícias entre 5 e 20 vezes por mês; 74% indicaram que não tinham uma abordagem específica planeada para dar más notícias. Mais de 90% consideraram que o aspeto mais difícil da comunicação era lidar com as emoções que surgem durante a entrevista. Quando a estratégia S-P-I-K-E-S, que se centra na abordagem e no reconhecimento das emoções, foi apresentada previamente, mais de 99% dos oncologistas consideraram-na fácil de compreender e de recordar. A S-P-I-K-E-S é descrita em pormenor mais adiante neste artigo.

Por que é tão difícil dar más notícias?

Só o facto de estar presente quando outra pessoa está em grande sofrimento pode dificultar a comunicação de más notícias. Há outras razões. Um estudo recente realizado no Canadá analisou as perceções dos médicos internos sobre a transmissão de más notícias. O estudo mostrou que a falta de apoio emocional por parte de outros profissionais de saúde, os seus próprios receios pessoais em relação ao processo e a quantidade de tempo de que dispunham para dar más notícias os impediam de serem eficazes nas suas funções.8 Algumas das áreas mais fracas no processo de dar más notícias são a exploração das reações dos doentes, a transmissão da informação ao ritmo dos doentes e a disponibilização de materiais escritos.9

Os médicos que comunicam más notícias podem sentir-se indefesos, especialmente quando não existem opções de tratamento ativas disponíveis para os doentes.5 Em determinadas circunstâncias, podem até sentir-se culpados (normalmente de forma inadequada!). Por vezes, o seu próprio conceito de moralidade é ameaçado. Por isso, não é de surpreender que os médicos possam dar por si a camuflar toda a verdade ao doente, num esforço para evitar as reações emocionais do doente ou as suas próprias reações às más notícias.10,11

A verdade, ontem e agora

Há cinquenta anos, a maioria dos médicos conseguia evitar o desconforto ocultando a verdade aos doentes, justificando esse facto com a alegação de que a verdade seria demasiado angustiante para os doentes. No seu famoso inquérito de 1961, Oken mostrou que 90% dos cirurgiões nos Estados Unidos não discutiam regularmente um diagnóstico de cancro com os seus doentes, apesar da saberem que os doentes queriam realmente ouvir o diagnóstico.12

Quase 20 anos mais tarde, Novack e colegas repetiram o estudo de Oken e mostraram que a situação se inverteu: no final da década de 1970, 90% dos médicos diziam aos doentes se tinham cancro.13 Desde então, esta situação tornou-se a norma. Temos agora a obrigação legal e ética de contar ao nosso doente qualquer pormenor sobre a sua doença, se for esse o seu desejo. Embora a maioria dos nossos doentes (mais de 95%, de acordo com os trabalhos mais recentes) queira que a sua situação médica seja totalmente revelada, alguns preferem não a ouvir ou não conseguem lidar com ela. Esta opção está integrada no protocolo S-P-I-K-E-S.

Como já foi dito muitas vezes, a forma como se diz a verdade pode ser ainda mais importante do que os pormenores da informação. Dizer a verdade de forma insensível pode ser tão prejudicial como esconder a verdade de forma insensível. É aqui que ter uma estratégia para dar más notícias o pode ajudar.

A perspetiva do médico

Ao longo de uma carreira de 40 anos, um oncologista pode realizar até 200 000 entrevistas com doentes, prestadores de cuidados e/ou famílias.14 Se apenas 10% dessas entrevistas envolverem a divulgação de más notícias, isso corresponde a 20 000 entrevistas em que o médico tem de ser o portador de más notícias.

Uma vez que esta competência especializada não é ensinada na maioria das escolas de medicina, os médicos aprendem normalmente a comunicar más notícias ao doente através da experiência profissional e observando os médicos mais experientes.15 (Algumas escolas têm cursos bem estabelecidos sobre as técnicas específicas para dar más notícias.16) À partida, pode parecer satisfatório adquirir as competências simplesmente observando os médicos mais experientes. Mas, de facto, não é esse o caso.

Os resultados de um estudo publicado por Fallowfield et al. em fevereiro de 2002 indicam que os problemas de comunicação dos oncologistas seniores não se resolvem com a experiência clínica.14 Este estudo específico sugere que os cursos de formação melhoram significativamente as capacidades de comunicação. O governo britânico está a planear utilizar o estudo de Fallowfield como base para a criação de um programa nacional de formação para médicos que cuidam de doentes com cancro. Até à data, planos semelhantes estão apenas nas fases preliminares de planeamento na América do Norte. Também foi demonstrado que a capacidade de comunicar más notícias aos doentes pode ser transferida entre especialidades, o que sugere que o tempo despendido na aprendizagem desta competência pode ter benefícios de grande alcance na profissão médica.15

Ao encontro das expectativas dos doentes

A forma como as más notícias são transmitidas afeta certamente a vida dos doentes, mas também pode afetar as relações médico-doente. De facto, vários estudos mostram que a forma como as más notícias são divulgadas pode afetar a satisfação dos doentes com os cuidados que recebem e o seu subsequente ajustamento psicológico às más notícias.17,18 Por exemplo, um estudo realizado em 2001 confirmou que os doentes com educação superior esperavam mais pormenores e uma maior simplificação da mensagem relativa à sua doença e que os doentes do sexo feminino esperavam mais apoio.19

Protocolo S-P-I-K-E-S

O protocolo S-P-I-K-E-S é uma estratégia e não um guião. Destaca as características mais importantes de uma entrevista com más notícias e sugere métodos para avaliar a situação à medida que esta evolui, para responder de forma construtiva ao que acontece.

  Setting (S) Cenário

 Privacidade. O local onde a má notícia é dada pode ter efeitos significativos no resultado da entrevista, especialmente se o ambiente for inadequado para uma discussão sensível, reservada e potencialmente devastadora. Vale realmente a pena tentar encontrar um local onde haja privacidade, como uma sala de consultas, o seu escritório com a porta fechada ou cortinas fechadas à volta de uma cama de hospital. Peça autorização ao doente para desligar a televisão ou o rádio e tente minimizar outras distrações. Envolver outras pessoas significativas. Alguns doentes gostam de ter familiares ou amigos com eles quando recebem más notícias. Se houver várias pessoas a apoiar o doente, pergunte-lhe quem será o porta-voz da família durante a discussão. Isto dá apoio ao doente, ao mesmo tempo que alivia algum do stress que irá sentir ao lidar com várias pessoas durante uma entrevista emocionalmente carregada.

 Sentado. Se acabou de examinar o doente, deixe-o vestir-se antes de iniciar a conversa. Deve estar sentado durante uma entrevista que envolva más notícias, e também vale a pena tentar evitar sentar-se atrás de barreiras físicas, como uma secretária. Se o doente estiver numa cama de hospital, puxe uma cadeira ou, se não houver uma cadeira, peça autorização para se sentar na beira da cama. O facto de estar sentado diminui o impacto visual intimidante do médico que se impõe ao doente, o que pode fazer com que este se sinta vulnerável. Quando nos sentamos, damos ao doente a sensação de alguma forma de parceria na discussão. Também é mais fácil conseguir um contacto visual nivelado na posição sentada.

 Parecer atento e calmo. A maioria de nós sente-se ansiosa durante uma entrevista com “más notícias”, e vale a pena fazer um esforço para tentar reduzir ou eliminar os sinais corporais que tendemos a enviar quando estamos nervosos. Se, por exemplo, tiver tendência para se inquietar durante discussões tensas, pode adotar a “posição neutra da psicoterapia”. Trata-se de colocar os pés no chão e os tornozelos juntos, e colocar as mãos, com as palmas para baixo, no colo. Manter o contacto visual também assegura ao doente a sua atenção; se ele começar a chorar, é uma boa ideia quebrar momentaneamente o contacto visual. (Ninguém gosta de ser visto a chorar, porque se sente particularmente vulnerável). Também pode pousar a sua mão no braço ou na mão do doente, se ele se sentir confortável com este gesto.

 Modo de escuta. O silêncio e a repetição são duas competências de comunicação que transmitem ao doente a mensagem de que está a ouvir. O seu silêncio (ou seja, não interromper ou sobrepor-se ao doente quando este está a falar) demonstra respeito pelo que ele está a dizer e indica que está em “modo de escuta”. A repetição envolve a utilização da palavra mais importante da última frase do doente na sua primeira frase. Por exemplo, um doente pode dizer: “Estou farto do tratamento”. Pode responder: “Qual é o aspeto que o deixa mais aborrecido?” Outras técnicas básicas que mostram que está a ouvir incluem acenar com a cabeça, sorrir ou dizer “hmmm”, conforme apropriado.

 Disponibilidade. Antes da sua importante conversa, tome providências para que os telefones sejam atendidos por outros membros do pessoal ou pelo correio de voz e certifique-se de que os membros do pessoal não interrompem a reunião. Se ocorrerem chamadas telefónicas ou outras interrupções, trate-as com cortesia para que o doente não se sinta menos importantes do que a interrupção. Se tiver compromissos a cumprir, dê ao doente uma indicação clara das suas restrições de tempo.

  Perception (P)  Entendimento

Este passo é o fulcro do princípio “antes de dizer, pergunte”. Antes de dar más notícias ao doente, deve obter uma imagem bastante precisa da sua perceção da situação médica – em particular, da forma como vê a gravidade da doença. As palavras exatas que decide utilizar dependem do seu próprio estilo. Eis alguns exemplos:

“O que pensou que se passava consigo quando sentiu o caroço?”

“O que é que lhe foi dito sobre tudo isto até agora?”

“ Receia que isto possa ser algo de grave?”

À medida que o doente responde à sua pergunta, tome nota da linguagem e do vocabulário que ele usa e certifique-se de que usa o mesmo vocabulário nas suas respostas. Este alinhamento é muito importante porque o ajudará a avaliar a diferença (muitas vezes inesperadamente grande) entre as expectativas do doente e a situação médica real.20

Se um doente estiver em negação, é muitas vezes útil não confrontar a negação na primeira entrevista. A negação é um mecanismo inconsciente que pode facilitar o enfrentamento e deve ser tratada com cuidado ao longo de várias entrevistas. O confronto com a negação nesta fase inicial irá muito provavelmente apenas aumentar desnecessariamente a ansiedade do doente ou, mais provavelmente ainda, estabelecer uma relação conflituosa ou antagónica.

  Invitation (I) Convite à dança

Embora a maioria dos doentes queira saber todos os pormenores sobre a sua situação médica, nem sempre se pode assumir que é esse o caso. A obtenção de uma autorização explícita respeita o direito do doente a saber (ou a não saber). Seguem-se alguns exemplos de formas de abordar esta questão:

“É o tipo de pessoa que prefere saber todos os pormenores do que se está a passar?”

“Que tipo de informação gostaria que eu lhe desse sobre o seu diagnóstico e tratamento?”

“Quer que lhe dê pormenores sobre o que se passa ou prefere que lhe fale apenas dos tratamentos que lhe estou a propor?”

  Knowledge (K) Conhecimentos

Antes de dar más notícias, avise o doente de que estão a chegar más notícias. Não há necessidade de lançar uma bomba quando se pode ir mais devagar. Isto dá ao doente alguns segundos mais para se preparar psicologicamente para as más notícias. Exemplos de declarações de aviso incluem:

“Infelizmente, tenho más notícias para lhe dar, Sr. Andrews.”

“Mrs. Smith, lamento muito ter de lhe dizer....”21,22

Quando der más notícias ao seu doente, utilize a mesma linguagem que este utiliza. Esta técnica de alinhamento ou correspondência de terminologia com o doente é importante. Por exemplo, se o doente usar as palavras “crescimento” e “propagação”, também deve tentar usar essas palavras.

 Evitar linguagem técnica e científica. Queremos que o doente compreenda claramente o que estamos a dizer; não queremos que as informações sejam mal interpretadas. Mesmo os doentes mais bem informados consideram os termos técnicos difíceis de compreender e de recordar em momentos de grande agitação emocional.

 Dar a informação em pequenas porções e assegure-se de que o doente compreendeu o que disse no final de cada parte (e pode ser necessário repetir isto várias vezes, especialmente quando o doente parece perplexo, mesmo que diga que compreendeu): Por exemplo: “Percebe o que quero dizer?” ou “Isto está a fazer sentido até agora?” Pergunte frequentemente.

 Ajustar o ritmo a que fornece informações ao seu doente. Se a indicação for que o doente compreendeu perfeitamente até agora, passe para a informação seguinte. Se o doente não estiver a compreender bem, volte a rever a informação.

À medida que as emoções e reações forem surgindo durante esta conversa, reconheça-as e responda-lhes. (Para mais pormenores, ver o passo seguinte).

  Empathy (E) Empatia

Para a maioria dos médicos, responder às emoções do doente é uma das partes mais difíceis de dar más notícias. No nosso esforço para aliviar o nosso próprio desconforto e aliviar parte do incómodo dos nossos doentes, é muitas vezes tentador reter alguma da informação, minimizar a gravidade da situação ou dar um prognóstico mais esperançoso do que deveríamos. Embora estas táticas possam reduzir o stress para si e para os seu doente a curto prazo, é provável que resultem em problemas a longo prazo para ambos, e pode ficar desacreditado no processo. É muito mais útil – e mais terapêutico – reconhecer as emoções do doente à medida que elas surgem e abordá-las. A técnica mais útil para essa tarefa é chamada de “resposta empática”, e compreende três passos simples:

 Passo 1: Ouvir e identificar a emoção (ou mistura de emoções). Se não tiver a certeza da emoção que o doente está a sentir, pode utilizar uma resposta exploratória, como “Como é que isso o faz sentir?” ou “O que pensa do que acabei de lhe dizer?”

 Passo 2: Identificar a causa ou a origem da emoção, que é mais provável que seja a má notícia que o doente acabou de ouvir.

 Passo 3: Mostrar ao seu doente que estabeleceu a ligação entre os dois passos anteriores – ou seja, que identificou a emoção e a sua origem. Os exemplos podem incluir:

“Ouvir o resultado da cintilografia óssea foi claramente um grande choque para si.”

“Obviamente, esta notícia é muito perturbadora.”

“É evidente que isto é muito penoso”.

Pode ser útil uma resposta coloquial: “Não era isso que queria ouvir, eu sei”.

As respostas empáticas ajudam a validar os sentimentos do doente e a relacionar a resposta consigo: “Gostava que as notícias fossem melhores”. Não tem de ter os mesmos sentimentos para dar uma resposta empática; simplesmente mostra a sua perceção das emoções do doente.

 Validação. Depois de ter demonstrado empatia e identificado e reconhecido a emoção do doente, está pronto para validar ou normalizar os seus sentimentos. Pode utilizar uma frase como “Compreendo que se sinta assim”. Para minimizar os sentimentos de embaraço e isolamento, diga ao doente que mostrar emoções é perfeitamente normal.

Combinar respostas empáticas com respostas exploratórias (se necessário) e depois validar os sentimentos do doente (por esta ordem) deve mostrar-lhe que compreende o lado humano da questão médica e que reconhece que esses sentimentos são normais.23

  Strategy and summary (S) Estratégia e Resumo

Uma das melhores formas de preparar um doente com vista à sua participação nas decisões de tratamento é garantir que ele compreende a informação que lhe foi fornecida. Verifique com frequência para se certificar de que você e o seu doente estão ambos na mesma página. Antes de terminar a conversa, resumir as informações da conversa e dar ao doente a oportunidade de expressar quaisquer preocupações ou perguntas importantes. Se não tiver tempo para as responder nesse momento, pode dizer ao doente que essas questões podem ser discutidas em pormenor na próxima consulta. O médico e o doente devem sair da entrevista com um plano claro dos próximos passos a dar e dos papéis que ambos irão desempenhar nesses passos.

Conclusão

Dar más notícias é frequentemente uma experiência tensa e angustiante tanto para o doente como para o médico. Os mensageiros de más notícias identificam-se muitas vezes inadvertidamente com os aspetos negativos da mensagem.5 As reações emocionais do doente serão difíceis de superar, a menos que tenha uma estratégia para as abordar. Sem um plano para lidar com estas questões, pode tentar minimizar as más notícias, revelando apenas parte da informação. Isto pode ser desastroso – o doente pode sentir-se relutante em participar na tomada de decisões. O facto de ser menos honesto ou minucioso pode corroer a confiança do doente em si como médico.

O protocolo S-P-I-K-E-S apresenta passos que são fáceis de memorizar e que podem ser praticados até se sentir mais à vontade para dar más notícias. As respostas empáticas, exploratórias e de validação também o devem ajudar a apoiar o doente, uma intervenção psicológica essencial para o sofrimento. Na prática, verificou-se que o protocolo S-P-I-K-E-S é facilmente aprendido e demonstrou aumentar a sensação de competência dos médicos nesta área difícil.

A tarefa de dar más notícias nunca será fácil, mas ter um plano de ação e saber que pode apoiar o seu doente durante este momento difícil ajudará consideravelmente. <

Para ter a tradução em versão PDF, descarregar DAQUI

Referências

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