18 novembro 2025

Inteligência artificial: boa ou má?

Journal of Medical Internet Research | ScienceDirect.com by Elsevier

Inteligência artificial generativa na educação médica: promover o pensamento crítico ou comprometer a autonomia cognitiva?

Juan S Izquierdo-Condoy et al.

Tradução espontânea do resumo e conclusões do artigo publicado em novembro de 2025

Generative Artificial Intelligence in Medical Education: Enhancing Critical Thinking or Undermining Cognitive Autonomy?

Resumo

A inteligência artificial generativa (GenAI) permite a produção de textos coerentes e contextualmente relevantes através do processamento de conjuntos de dados linguísticos em grande escala. Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e LLaMA estão cada vez mais integradas na educação médica, auxiliando os estudantes em diversas tarefas, incluindo raciocínio clínico, revisão de literatura, redação científica e avaliação formativa. Embora essas ferramentas ofereçam vantagens significativas em termos de produtividade, personalização e apoio cognitivo, o seu impacto no pensamento crítico – um pilar da educação médica – permanece incerto. O objetivo deste artigo de opinião é avaliar criticamente a influência da GenAI no pensamento crítico no âmbito da formação médica, examinando tanto o seu potencial para melhorar as competências cognitivas como os riscos que representa para a autonomia cognitiva. Os utilizadores relataram maior eficiência e melhoria na produção linguística; no entanto, também surgiram preocupações quanto ao risco de dependência cognitiva excessiva. As provas atuais apresentam um quadro misto, indicando tanto melhorias no envolvimento dos alunos como potenciais desvantagens, tais como passividade ou propensão para desinformação. Sem uma integração curricular que dê prioridade ao uso ético, à 'prompt engineering' e à avaliação crítica, a GenAI pode comprometer a autonomia cognitiva dos estudantes de medicina.

 Por outro lado, quando cuidadosamente incorporadas em estruturas pedagógicas, essas ferramentas podem atuar como potenciadores cognitivos, apoiando, em vez de substituir, o raciocínio clínico. A educação médica deve se adaptar para garantir que os futuros médicos se envolvam com a GenAI de maneira crítica, ética e contextualizada, especialmente em cenários complexos de tomada de decisão. Essa transformação exige não apenas fluência tecnológica, mas também prática reflexiva e supervisão contínua por parte do corpo docente e das instituições académicas.

[…]

Conclusões

Essas ferramentas podem apoiar alunos e educadores sobrecarregados, personalizar o ensino e facilitar o desenvolvimento de competências cognitivas. No entanto, elas não são pedagogicamente neutras. Sem um projeto intencional e um envolvimento crítico, a GenAI pode corroer os próprios atributos de discernimento clínico, raciocínio ético e autonomia intelectual que se usam para definir os médicos competentes.

O futuro da educação médica não reside na rejeição ou na adoção cegas, mas na integração ponderada e baseada na ética. Isso requer formação em literacia digital, apoio mediado pelo corpo docente e estruturas curriculares que reforcem o raciocínio reflexivo. A GenAI deve ser vista não como uma ameaça ou uma panaceia, mas como um catalisador que expõe tanto os pontos fortes como as vulnerabilidades dos modelos educacionais atuais. O desafio que temos pela frente é preparar médicos que não sejam apenas tecnologicamente fluentes, mas sejam também criticamente capacitados. Isso, mais do que qualquer algoritmo, moldará o futuro dos cuidados de saúde.

 

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