Inteligência artificial
generativa na educação médica: promover o pensamento crítico ou comprometer a
autonomia cognitiva?
Juan
S Izquierdo-Condoy et al.
Tradução espontânea do resumo e conclusões do artigo publicado em novembro de 2025
Resumo
A
inteligência artificial generativa (GenAI) permite a produção de textos
coerentes e contextualmente relevantes através do processamento de conjuntos de
dados linguísticos em grande escala. Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e
LLaMA estão cada vez mais integradas na educação médica, auxiliando os
estudantes em diversas tarefas, incluindo raciocínio clínico, revisão de
literatura, redação científica e avaliação formativa. Embora essas ferramentas
ofereçam vantagens significativas em termos de produtividade, personalização e
apoio cognitivo, o seu impacto no pensamento crítico – um pilar da educação
médica – permanece incerto. O objetivo deste artigo de opinião é avaliar
criticamente a influência da GenAI no pensamento crítico no âmbito da formação
médica, examinando tanto o seu potencial para melhorar as competências
cognitivas como os riscos que representa para a autonomia cognitiva. Os
utilizadores relataram maior eficiência e melhoria na produção linguística; no
entanto, também surgiram preocupações quanto ao risco de dependência cognitiva
excessiva. As provas atuais apresentam um quadro misto, indicando tanto
melhorias no envolvimento dos alunos como potenciais desvantagens, tais como
passividade ou propensão para desinformação. Sem uma integração curricular que
dê prioridade ao uso ético, à 'prompt engineering' e à avaliação
crítica, a GenAI pode comprometer a autonomia cognitiva dos estudantes de
medicina.
Por outro lado, quando cuidadosamente
incorporadas em estruturas pedagógicas, essas ferramentas podem atuar como
potenciadores cognitivos, apoiando, em vez de substituir, o raciocínio clínico.
A educação médica deve se adaptar para garantir que os futuros médicos se
envolvam com a GenAI de maneira crítica, ética e contextualizada, especialmente
em cenários complexos de tomada de decisão. Essa transformação exige não apenas
fluência tecnológica, mas também prática reflexiva e supervisão contínua por
parte do corpo docente e das instituições académicas.
[…]
Conclusões
Essas
ferramentas podem apoiar alunos e educadores sobrecarregados, personalizar o
ensino e facilitar o desenvolvimento de competências cognitivas. No entanto,
elas não são pedagogicamente neutras. Sem um projeto intencional e um
envolvimento crítico, a GenAI pode corroer os próprios atributos de discernimento
clínico, raciocínio ético e autonomia intelectual que se usam para definir os médicos
competentes.
O
futuro da educação médica não reside na rejeição ou na adoção cegas, mas na
integração ponderada e baseada na ética. Isso requer formação em literacia
digital, apoio mediado pelo corpo docente e estruturas curriculares que
reforcem o raciocínio reflexivo. A GenAI deve ser vista não como uma ameaça ou
uma panaceia, mas como um catalisador que expõe tanto os pontos fortes como as
vulnerabilidades dos modelos educacionais atuais. O desafio que temos pela
frente é preparar médicos que não sejam apenas tecnologicamente fluentes, mas sejam
também criticamente capacitados. Isso, mais do que qualquer algoritmo, moldará
o futuro dos cuidados de saúde.
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