Melhorar a identificação
e o tratamento da depressão em doenças neurológicas: uma revisão narrativa e a
perspetiva de especialistas
Tradução espontânea para distribuição sem
fins lucrativos do resumo do artigo
Lucie Bartova,1 Mara Lisa Beuster,2 Bruno Bonetti,3 Giuseppe Maina,4,5 Pedro Morgado,6 Johan Nyberg7
1 Departamento de
Psiquiatria e Psicoterapia, Divisão Clínica de Psiquiatria Geral e Centro
Integral de Neurociências Clínicas e Saúde Mental, Universidade Médica de
Viena, Viena, Áustria; 2 Inselspital, Hospital Universitário de Berna,
Berna, Suíça; 3 Departamento de Neurociências, Centro Hospitalar
Universitário Integrado de Verona, Verona, Itália; 4 Departamento de
Neurociências «Rita Levi Montalcini», Universidade de Turim, Turim, Itália; 5
Departamento de Psiquiatria, Hospital Universitário San Luigi Gonzaga, Turim,
Itália; 6 Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde,
Universidade do Minho, Braga, Portugal; Centro Académico Clínico – Braga,
Portugal; 7 Serviço de Neurologia de Stortorget, Helsingborg, Suécia
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ler o artigo original completo, clicar AQUI]
Resumo
A
saúde cerebral integral está a ser cada vez mais reconhecida como de
importância crucial a nível mundial e integra elementos da saúde neurológica e
psiquiátrica. Esta evolução na visão do bem-estar cerebral tem em conta os
diversos fatores que podem afetar a saúde cerebral e a interconexão das
condições que afetam este órgão. Essa interação entre doenças neurológicas e
depressivas é destacada por observações de que estas condições partilham uma
fisiopatologia subjacente e ocorrem frequentemente em simultâneo no mesmo
doente. Uma revisão da literatura sobre a depressão no pós-AVC, na doença de
Parkinson, na esclerose múltipla e na enxaqueca confirmou a elevada prevalência
da depressão em doentes com doenças neurológicas, com aproximadamente um terço
dos doentes com doenças neurológicas a sofrer de depressão. Os resultados do
estudo também destacaram a importância da deteção precoce da depressão e que o
tratamento adequado pode melhorar substancialmente os resultados tanto da
depressão como da doença neurológica. No entanto, verificou-se uma disparidade
na quantidade de literatura sobre depressão nas diferentes doenças
neurológicas, com apenas três dos 80 artigos encontrados a referirem a
enxaqueca e a depressão. A informação sobre cuidados multidisciplinares também
foi limitada. As necessidades não satisfeitas no que diz respeito à gestão da
depressão em doentes com doenças neurológicas incluem processos de rastreio
eficazes que permitam diferenciar sintomas sobrepostos. Também há uma falta de
diretrizes de tratamento claras e baseadas em provas. Com base na nossa
experiência clínica, apresentamos recomendações para as melhores práticas de
gestão da depressão em doentes com doenças neurológicas, incluindo entrevistas
estruturadas aos doentes para auxiliar no diagnóstico da depressão, o
envolvimento das famílias e amigos dos doentes quando relevante, cuidados
multidisciplinares que incorporem tratamento personalizado com base nos
sintomas específicos, comedicações e necessidades do doente, e acompanhamento e
monitorização contínuos. Estão disponíveis opções de antidepressivos com
diferentes mecanismos de ação e perfis de efeitos adversos. Em geral, os dados
indicam que a depressão em doenças neurológicas é subdiagnosticada e
subtratada. Sugerimos que o rastreio estruturado e os cuidados
multidisciplinares personalizados podem melhorar os resultados. <
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