10 maio 2026

Depressão em doenças neurológicas

Melhorar a identificação e o tratamento da depressão em doenças neurológicas: uma revisão narrativa e a perspetiva de especialistas

Tradução espontânea para distribuição sem fins lucrativos do resumo do artigo

Optimizing Identification and Management of Depression in Neurological Diseases: A Narrative Review and Expert Perspective

Lucie Bartova,1 Mara Lisa Beuster,2 Bruno Bonetti,3 Giuseppe Maina,4,5 Pedro Morgado,6 Johan Nyberg7

1 Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia, Divisão Clínica de Psiquiatria Geral e Centro Integral de Neurociências Clínicas e Saúde Mental, Universidade Médica de Viena, Viena, Áustria; 2 Inselspital, Hospital Universitário de Berna, Berna, Suíça; 3 Departamento de Neurociências, Centro Hospitalar Universitário Integrado de Verona, Verona, Itália; 4 Departamento de Neurociências «Rita Levi Montalcini», Universidade de Turim, Turim, Itália; 5 Departamento de Psiquiatria, Hospital Universitário San Luigi Gonzaga, Turim, Itália; 6 Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde, Universidade do Minho, Braga, Portugal; Centro Académico Clínico – Braga, Portugal; 7 Serviço de Neurologia de Stortorget, Helsingborg, Suécia

[para ler o artigo original completo, clicar AQUI]

Resumo

A saúde cerebral integral está a ser cada vez mais reconhecida como de importância crucial a nível mundial e integra elementos da saúde neurológica e psiquiátrica. Esta evolução na visão do bem-estar cerebral tem em conta os diversos fatores que podem afetar a saúde cerebral e a interconexão das condições que afetam este órgão. Essa interação entre doenças neurológicas e depressivas é destacada por observações de que estas condições partilham uma fisiopatologia subjacente e ocorrem frequentemente em simultâneo no mesmo doente. Uma revisão da literatura sobre a depressão no pós-AVC, na doença de Parkinson, na esclerose múltipla e na enxaqueca confirmou a elevada prevalência da depressão em doentes com doenças neurológicas, com aproximadamente um terço dos doentes com doenças neurológicas a sofrer de depressão. Os resultados do estudo também destacaram a importância da deteção precoce da depressão e que o tratamento adequado pode melhorar substancialmente os resultados tanto da depressão como da doença neurológica. No entanto, verificou-se uma disparidade na quantidade de literatura sobre depressão nas diferentes doenças neurológicas, com apenas três dos 80 artigos encontrados a referirem a enxaqueca e a depressão. A informação sobre cuidados multidisciplinares também foi limitada. As necessidades não satisfeitas no que diz respeito à gestão da depressão em doentes com doenças neurológicas incluem processos de rastreio eficazes que permitam diferenciar sintomas sobrepostos. Também há uma falta de diretrizes de tratamento claras e baseadas em provas. Com base na nossa experiência clínica, apresentamos recomendações para as melhores práticas de gestão da depressão em doentes com doenças neurológicas, incluindo entrevistas estruturadas aos doentes para auxiliar no diagnóstico da depressão, o envolvimento das famílias e amigos dos doentes quando relevante, cuidados multidisciplinares que incorporem tratamento personalizado com base nos sintomas específicos, comedicações e necessidades do doente, e acompanhamento e monitorização contínuos. Estão disponíveis opções de antidepressivos com diferentes mecanismos de ação e perfis de efeitos adversos. Em geral, os dados indicam que a depressão em doenças neurológicas é subdiagnosticada e subtratada. Sugerimos que o rastreio estruturado e os cuidados multidisciplinares personalizados podem melhorar os resultados. <

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